Deus ama os desertos

Essa imagem é logo do início do espetáculo. Nela, ELE (os personagens não têm nome, são apenas ELE e ELA) conta uma viagem pro deserto, e num momento diz que “Deus ama esses desertos, Deus é um DJ e ele é orgulhoso de suas paisagens calmas, lentas e suas planícies…”.

Fizemos uma pesquisa bem extensa sobre imagens de deserto, especialmente do Death Valley, que é o lugar citado no texto, e realmente encontramos coisas belíssimas. Tem inclusive um filme do Antonioni chamado Zabriskie Point (aí vai a sequência final do filme, que termina com música do Pink Floyd e uma imagem deslumbrante do Death Valley: Zabriskie Point – final sequence).

Mas o Rafael do Hardcuore acabou trazendo essa proposta de um deserto mais gráfico, menos literal, e ficou muito mais bacana! Porque acrescenta uma outra camada à maneira como se pode entender essa cena. O deserto não é só o deserto real geográfico, mas também o deserto simbólico. Lembrei nesse momento que Jesus passou um tempo no deserto, e foi quando voltou que ele começou de fato a cumprir sua missão. ELE na peça passa por algo similar, é uma cena muito importante, pois nela ele compartilha com a plateia a experiência definitiva e transformadora que teve nessa viagem pro deserto.

Foi nessa viagem que ele começou a fundir o mundo à sua volta com a música de dentro da sua cabeça, e a entender tudo como som, o mundo inteiro como vibrações sonoras. E a grande sacada do Rafael e do Breno, que fizeram nossos vídeos, foi que esse deserto gráfico vai aos poucos se transformando em ondas sonoras, que dançam ao som de uma das trilhas mais importantes da peça: Mother do Goldie. Mas isso já é papo pra um outro post.

Marcos Damigo

Anúncios