Como criar relevância?

Num mundo de virtualidades cada vez maiores, onde o bit digital cria a ilusão de uma realidade muitas vezes mais atraente, o teatro permanece como um espaço de resistência para que os encontros reais continuem existindo. Sem negar a importância dos avanços tecnológicos. Sabendo inclusive o quanto tudo isso possibilita um fluxo inacreditável de compartilhamento de saberes e experiências. E quanto o teatro mesmo amplia suas possibilidades de jogo a partir da incorporação de novas tecnologias. Mas sem o lastro de uma experiência calcada na sabedoria e no afeto, corremos o risco de ficarmos à deriva no mar de informações indiferenciadas que transbordam de computadores, celulares e tevês.

 

E mais: como criar relevância em meio a esse excesso de informação que vivemos hoje? Como capturar a atenção de um espectador e compartilhar com ele uma experiência realmente significativa e mobilizadora?

 

Deus é um DJ fala um pouco disso: ele pede pra que cada espectador se posicione em relação ao que é mostrado. Transgredindo bons modos e flertando com a necessidade de serem bem sucedidos, os personagens colocam em xeque várias fronteiras comumente estabelecidas entre certos conceitos: público, privado, arte, mercadoria, real, ficcional… E propõe uma vivência absolutamente calcada no aqui e no agora, mas que se desdobra em virtuais possibilidades de interpretação e cruzamento com o mundo à nossa volta. Aí reside seu fascínio, se é que ele existe realmente.

 

O que eu posso garantir, para além de qualquer julgamento que se possa fazer sobre uma obra, é que essa é uma batalha que precisa ser conquistada dia-a-dia. Com muito prazer. E o coração aberto.

 

Marcos Damigo

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