Novos velhos desafios

Tínhamos acabado de chegar do Festival de Curitiba, duas sessões catárticas, teatro-estádio (parafraseando o mestre Zé Celso), um teatro com 700 pessoas vibrando junto com as loucuras da peça, me senti o Ronaldinho no Maracanã!

César Augusto, que capitaneia a ocupação do Teatro Municipal Café Pequeno junto com o Jonas Klabin e o André Vieira, me liga oferecendo uma pauta meio em cima da hora. Pauta pra ator é o mesmo que açúcar pra formiga, missa pra beata e sexo pra tarado! Mesmo sabendo que seria o maior perrengue, pouca grana, muito trabalho e todos os etcéteras que caberiam aqui, topei!

E a coisa ficou mais crítica ainda, quando a Maria Ribeiro, parceira até aquele momento e amiga pra eternidade, me comunica que não poderia estar nessa temporada. A gente já sabia que isso talvez fosse acontecer. A agenda intensa da peça já estava conflitando com a agenda intensa da Maria. Mas não esperávamos que fosse tão de repente.

E lá fomos nós, resolver uma substituição delicada em regime de urgência. Ligando pra um monte de gente, pedindo ajuda, conversas mil, até chegarmos na Juliana Schalch. Ela queria muito, podia e se encaixava no perfil na personagem. Bingo!

Mas estava em São Paulo. O primeiro ensaio (leitura do texto) aconteceu via skype. E já deu pra sentir a entrega, o comprometimento e a disponibilidade de alguém que teria que assumir uma personagem em cima da hora.

Ela chega no Rio, começamos um mini-processo, intenso, profundo e extremamente prazeroso. Questões de produção vão pipocando como gremlins naquela cena do filme em que a personagem molha o gremlin fofo com água. Renato Saraiva, João Braune, Pedro Paiva, Fernanda Carvalho, mais a equipe do Câmbio (Cesar, Jonas, Andre e Victor), todos empenhadíssimos. Max dando uma renovada no cenário. Maria Sílvia (por intermédio de quem a Juliana chegou ao projeto), Calixto, a equipe do Café Pequeno (Alex, Dudu, Wagner, Artur, Helio, Marlene, Vera e outros que eu ainda nem sei o nome), tanta gente dando força, axé e trabalho, muito trabalho.

No meio disso tudo, o prazo final para entregar projetos ao FATE (Fundo de Apoio ao Teatro da cidade do Rio de Janeiro). Todo mundo, no meio da loucura, tentando ainda garantir o futuro não muito distante.

E hoje, véspera da estreia, fizemos um ensaio geral com quase tudo no lugar. Que emoção ver a magia do teatro chegando aos poucos, driblando as questões técnicas, os ajustes ainda a serem realizados.

Exaustos, guerreiros às vésperas da grande batalha, saímos do teatro com a esperança de que amanhã será um lindo dia.

Não é fácil. E nem deveria ser, afinal toda estreia é um parto. É preciso ser rápido, tomar as decisões certas sob grande pressão, antever riscos e medir prós e contras. E correr o risco de ser duramente criticado. Mas nada disso é maior do que o grande objetivo: compartilhar dessa história com o público. Essa história que me acompanha há tantos anos (conheço o texto desde 2001, luto para viabilizá-lo desde 2006), e com a qual eu continuo aprendendo, me divertindo, me surpreendendo. E espero que quem vá nos assistir nessa temporada possa experimentar algo assim também.

Abram as cortinas!

Marcos Damigo

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